27.12.06

O Reino da Lídia


O antigo reino da Lídia emergiu no início do seculo XIII a.C. como um reino “Neo-Hitita”, após o colapso do Império Hitita no século XII a.C. No entanto, foi no início do século VII a.C., após a destruição da Frígia pelos Cimérios, que a Lídia se tornou a nação mais forte a dominar o Oeste da Anatólia.
Quando adquiriu a sua maior extensão, ocupou toda a metade Oeste da Anatólia a Oeste do rio Hális (actual rio Kızılırmak), desde o mar Egeu até aos vales dos rios Hermo e Cayster (actuais rios Gediz e Büyükmenderes),com excepção das terras da Lícia.

Heródoto refere que a denominação Lídia foi herdada do primeiro rei chamado Lydos, que se acreditava descender de Átis e da deusa Frígia Cibele. Esse nome mitológico deu origem ao nome étnico Grego Lydoi e ao Hebreu Lûdîm. Na mitologia Grega, Onfale foi rainha ou princesa da Lídia, casou com Héracles, e deverão ter tido pelo menos um filho. O historiador Grego do século I a.C., Diodorus Siculus (4.31.8), e Ovídio na sua obra "Heroides" (9.54) mencionam um filho chamado Lamos. No entanto, Apolodoro (2.7.8) refere-se ao nome do filho de Héracles e Onfale como sendo Agelaus. Pausânias (2.21.3) atribui-lhe outro nome, mencionando Tyrsenus como filho de Héracles com a "mulher de Lídia". Heródoto (1.7) refere nas suas "Histórias" uma dinastia Heráclida de reis que governaram a Lídia, e que talvez não descendessem de Onfale: "os Héraclidas, descendentes de Héracles e da escrava de Iardanus". Para Heródoto, o primeiro dos Heráclidas a governar a Lídia terá sido Agron, filho de Ninus, que por sua vez seria filho de Belus, que seria filho de Agelaus, filho de Héracles. Segundo Heródoto, os "filhos de Héracles" fundaram uma dinastia que permaneceu no poder durante "505 anos, filho a suceder pai de geração em geração até ao tempo de Candaules" (de cerca de 1185 a.C. a cerca de 680 a.C.). Mais tarde, alguns historiadores ignoraram a declaração de Heródoto, dizendo que Agron foi o primeiro rei da Lídia, e incluíram Alcaeus, Belus e Ninus também na lista de reis da Lídia. Estrabão (5.2.2) considerou Átis, pai de Lydus e Tyrrhenusi, como um dos descendentes de Héracles e Onfale. Este dado oferece várias dúvidas, uma vez que todos os outros relatos colocam Átis, Lydus e Tyrrhenus como irmãos e reis da dinastia pré-Heráclida da Lídia.

As fronteiras do reino da Lídia mudaram ao longo dos séculos, sendo inicialmente limitado pelos reinos da Mísia, Cária, Frígia e Iónia. Tornou-se mais poderoso sob a Dinastia Mérmnada, que teve início cerca de 685 a.C.. No século VI a.C., durante o reinado do rei Creso, Lídia atingiu o seu maior esplendor, com as conquistas Lídias a transformarem o reinado num império, que controlava todo o Oeste da Ásia Menor, com excepção da Lícia. A partir dessa altura, Lídia nunca mais voltou às suas dimensões originais. No entanto, o império terminou quando o Rei Persa Ciro II, O Grande conquistou Sardes cerca de 546 a.C. e incorporou Lídia no Império Persa. Nessa altura, o rio Maender correspondia ao seu limite a Sul. Depois de Alexandre, O Grande, Rei da Macedónia, ter derrotado a Pérsia, Lídia passou para o controle Greco-Macedónio em 334 a.C.. A partir dessa altura os Lídios foram assimilados pelos Gregos, pela língua Grega e pela Cultura Grega. Em 133 a.C. Lídia passou a fazer parte da província Romana da Ásia. Sob o domínio de Roma, Lídia abarcou a área entre a Mísia e a Cária por um lado, e a Frígia e o Mar Egeu por outro.

A capital do reino da Lídia foi a cidade de Sardes (actual Sart, na província Turca de Manisa), localizada a Nordeste de Esmirna (Izmir), no cruzamento das principais estradas que ligavam Éfeso, Esmirna e Pérgamo às terras altas da Ásia Menor. Foi fundada estrategicamente num esporão, no sopé do Monte Tmolo (actual Monte Boz), dominando a planície central do vale Hermo, a cerca de 34 quilómetros a Sul do rio Hermo, e constituindo o limite Ocidental da Estrada Real Persa. Atingiu a sua maior prosperidade durante o reinado de Creso (560-546 a.C.), e depois da conquista Persa em 546 a.C. tornou-se a capital Oeste desse Império. Com a sua conquista por Alexandre, O Grande em 334 a.C., o seu império foi dividido em vários reinos, e Sardes passou a integrar o Império Selêucida. Depois passou a fazer parte do Império Romano, tornando-se sede de um procônsul. Em seguida foi capital da província da Lídia, após as reformas administrativas de Diocleciano e durante o Império Bizantino. A importância da cidade deveu-se ao seu poderio militar, à sua localização geográfica numa importante via que ligava o Egeu ao interior, ao vale fértil do rio Hermo, e à riqueza em ouro e prata do rio Hermo e do seu afluente Pactolo. A abundância de ouro em torno de Sardes era explicada com uma lenda: o lendário rei Midas terá sido recompensado pelo Deus Dionísio, e tudo aquilo em que tocava era transformado em ouro. No entanto, como esse poder também surtia efeito na sua comida, o rei Midas pediu para ser libertado desses poderes. Dionísio pediu-lhe então para lavar as mãos no rio Pactolo, e dessa forma o rei Midas perdeu os seus poderes, libertando ouro para o rio Pactolo. O facto de Sardes ser uma cidade muito bela e rica, especialmente no reinado de Creso, contribuiu para o surgimento de várias lendas. Sardes possuía edifícios monumentais, os mais antigos datados do século IV a.C.. O Templo de Ártemis, a Casa da Moeda, uma caldeira de fundição de ouro, fileiras de lojas comerciais, um complexo de termas e ginásio, uma grande sinagoga, para além da muralha da cidade e do cemitério real de Bin Tepe, são exemplos da monumentalidade e riqueza de Sardes. Foi igualmente um dos pólos do Cristianismo nos seus primórdios, e o local de uma das Sete Igrejas da Ásia mencionadas no Livro do Apocalipse (Ap. 3:1-6). Sardes foi destruída pelo conquistador Mongol Tamerlão O Grande (1336-1405) em 1402.

O reino da Lídia era conhecido pelos solos fertéis, pelos ricos depósitos de ouro e de prata, e pela sua magnífica capital, Sardes. Um aspecto que reveste Lídia de um papel relevante na história da humanidade, é o facto de ter sido o aí que se cunhou a primeira moeda da história das civilizações. Segundo Heródoto, os Lídios foram os primeiros a introduzir a moeda de ouro e prata, e os primeiros a estabelecer lojas permanentes de venda a retalho. O rio Hermo possuía muitos atributos, um dos quais era o alto teor de ouro e prata no seu leito, oferecendo uma liga natural denominada electrum. O electrum foi o primeiro metal a ser usado com a finalidade de cunhar moedas. A pele de carneiro era utilizada para filtrar a água do rio, com o objectivo de reter os grãos de ouro e prata. Esse processo arcaico, deu origem à lenda dos argonautas, que viajavam pelo Mediterrâneo para encontrarem o "Tosão de Ouro". Os nomes dos primeiros gravadores de moedas são desconhecidos, perderam-se no tempo, mas evidências arqueológicas confirmaram o nome do rei Aliates II da Lídia, que governou entre 619 e 560 a.C., como a primeira autoridade a emitir moedas com monograma, representando o governo de um estado. Com a introdução do uso da moeda, os Lídios operaram uma grande revolução comercial, e tiveram igualmente grande influência na Civilização Grega a partir do século VI a.C..

Em meados do seculo VI a.C., o Rei Creso, último rei da dinastia dos Mérmnadas e último rei da Lídia (560-546 a.C.), herdou do seu pai, Aliates II, um vasto império que incluía todo o Oeste da Anatólia até ao rio Hális. Conquistou depois Éfeso, incorporando no seu império as cidades gregas do litoral do mar Egeu, com as quais estabeleceu laços de amizade e alianças, para tirar benefício da próspera actividade comercial da região. O rei Creso, estabeleceu a primeira cunhagem bimetálica de moedas, desenvolvendo uma cunhagem separada de ouro e prata. O nome de Creso e Lídia passaram a ser sinónimos de riqueza. Cerca de 550 a.C., o rei Creso financiou a construção do Templo de Ártemis em Éfeso, uma das Sete Maravilhas do Mundo.

Creso verificou o poder crescente da Pérsia, e começou a pensar em formas de travar o seu poderio. Segundo Heródoto, dando crédito ao oráculo de Delfos, ofereceu um grande sacrifício, e enviou mensageiros para inquirir o oráculo se deveria investir numa guerra contra os Persas. Em 550 a.C., os avanços do rei Persa Ciro II, ameaçaram seriamente o império Lídio. Creso aliou-se à Babilónia, Esparta e Egipto, e invadiu a Capadócia (no leste da Anatólia). Depois, foi para Sardes para preparar novo ataque. Em Sardes foi sitiado por Ciro, que o fez prisioneiro. Nessa altura, quando Creso foi derrotado por Ciro, em 546 a.C., o reino da Lídia tornou-se uma província do Império Persa. Segundo algumas narrativas, depois de derrotado, Creso terá sido condenado a morrer queimado numa fogueira, mas a intervenção do Deus Apolo tê-lo-á salvo. Outras narrativas associam-no à corte de Ciro, que lhe terá delegado o governo da região Média de Bareine.

A língua Lídia foi herdeira directa da língua Hitita, embora com muitas características próprias, nomeadamente ao nível da fonética e morfologia. A ciência linguística ainda não sabe muito sobre a língua Lídia, mas será obviamente Indo-Europeia, facto patente em muitas palavras com essa origem.

10.11.06

O castelo de Ancara

Castelo de Ancara


A data exacta de construção da cidadela de Ancara é desconhecida, mas terá sido no início do século II a.C. quando os Gálatas dominavam a zona. Esteve sob influência de vários poderes ao longo dos séculos, tendo sido destruída e novamente reparada durante o período romano e bizantino. Integrou o Império Seljúcida em 1073, altura em que terá sido novamente reparada e expandida, e foi também reconstruída diversas vezes durante o Império Otomano .
As muralhas do castelo de Ancara, que outrora rodearam a cidade fortificada e circundam a colina mais alta da cidade, não são visíveis de todos os pontos. As muralhas internas têm 42 torres, e só poucos vestígios dispersos se mantêm das muralhas externas, que rodeiam a parte antiga da cidade com as suas 20 torres.
Quando o antigo território da Galácia foi incorporado no Império Romano em 25 a. C., Ancara tornou-se uma fortaleza romana de grande importância estratégica. Continuou a ser uma proeminente guarnição militar sob o domínio bizantino do Império Romano do Oriente. Localizada no percurso da Estrada Imperial, Ancara foi também de uma importância comercial primordial. Esteve na rota das invasões persas, árabes e sassânidas, e de muitas tribos que emigraram para a Anatólia. Quando Alexandre, O Grande conquistou Gordium a oeste, regressou por Ancara antes de prosseguir a sua marcha de conquista. Durante o período bizantino, o líder árabe Haroun Reshid, e nos últimos tempos do Império Otomano, o vice-rei rebelde do Egipto Mehmet Ali Paşa, fizeram esforços infrutíferos para capturar a cidade e o seu castelo. Quando o sultão turco Beyazit I perdeu a Batalha de Ancara em 1402, foi feito prisioneiro no castelo de Ancara por Tamerlão (Timur-i-Lenk) durante muitas semanas.
Existem opiniões divergentes sobre quando é que as muralhas do castelo foram originalmente construídas e a que período pertencem os vestígios das muralhas visíveis actualmente, mas a sua tipologia parece ser típica das fortificações bizantinas. Foram descobertos muitos vestígios do período pré-romano, principalmente dentro e em redor do castelo, embora as muralhas não sejam anteriores ao período romano.
Sob o domínio romano, Ancara cresceu para fora das suas muralhas, descendo o morro em direcção à planície, adoptando a tipologia de uma cidade aberta semelhante às antigas cidades-estado gregas. De imediato foram construídas mais muralhas para protecção contra Persas e Árabes. No entanto, só os nomes das portas da cidade, denominadas de acordo com as principais cidades para as quais cada estrada conduzia, nos lembram da existência dessas muralhas. Também nada resta dos edifícios do interior da cidadela, a não ser as inscrições das pedras do Templo de Zeus, o Templo de Augusto e o teatro. O ginásio, o hipódromo, a agora e outros edifícios da cidadela desapareceram. A igreja de São Clemente, mais antiga que Santa Sofia em Istambul, está completamente em ruínas. Os elementos das muralhas interiores que ainda permanecem in situ, sobreviveram aos invasores e a três grandes incêndios.
A área dentro das muralhas do castelo foi densamente povoada com casas durante o período otomano, particularmente do século XVI em diante, e hoje essa área de casas de madeira antigas e de ruas estreitas é uma área protegida.
Depois de Ancara ter sido proclamada capital da Turquia em 1923, o coração da cidade saiu deste local, e a cidade antiga dentro e em redor do castelo foi negligenciada e abandonada. Agora, esta área está a tornar-se um centro de vida social e cultural outra vez, com as casas antigas restauradas e as ruas limpas e arranjadas. O interesse histórico desta área, é engrandecido ainda mais pela presença do Museu das Civilizações da Anatólia, que atrai muitos turistas e também população local.

24.10.06

Breve história de Ancara

Castelo de Ancara

Ancara foi inicialmente conhecida como Angora ou Engürü, devido aos famosos bodes com longo pelo e valiosa lã (mohair), uma raça única de gatos (gato angorá), e um tipo de coelhos brancos com um pelo muito apreciado (coelho angorá). No período clássico e helenístico passou a ser designada Ánkyra, e no domínio romano foi denominada Ancyra.
Actualmente, Ancara é segunda maior cidade da Turquia, e é a capital do país desde a criação da República em 1923.
Localiza-se no centro da Anatólia, na parte oriental do planalto da Anatólia, a uma altitude de 850 metros e na margem esquerda do rio Enguri Su, um afluente do rio Sakarya (Sangarius). Ocupa o centro da província com o mesmo nome, uma área onde predominam as estepes fertéis propícias ao cultivo do trigo, mas onde também existem zonas de floresta a nordeste.
A província de Ancara possui numerosos sítios arqueológicos hititas, frígios, gregos, romanos, bizantinos e otomanos. Na cidade, o sopé de uma colina escarpada e rochosa que atinge os 170 metros de altitude, é coroado pelas ruínas do castelo. No entanto, restam poucos vestígios da cidade antiga e da sua história otomana mais recente, cujas casas, típicas desta região, foram construídas maioritariamente com tijolos de barro seco ao sol e madeira. Existem, contudo, alguns vestígios bem preservados de arquitectura grega, romana e bizantina. O mais notável exemplar da ocupação romana de Ancara é o templo de Augusto e Roma (Monumentum Ancyranum), em cujas paredes estão inscritos os "Feitos do Divino Augusto" (Res Gestae Divi Augusti). Trata-se de uma narrativa redigida pelo imperador Augusto antes da sua morte, onde relata as suas conquistas.

Templo de Augusto
Templo de Augusto.

A história da região recua à civilização hatti da Idade do Bronze (2500-2000 a.C.), que foi sucedida no 2º milénio a.C. pelos Hititas, no século X a.C. pelos Frígios e depois pelos Lídios e Persas. A cidade expandiu-se e adoptou a forma da cidade de Pontus, maioritariamente conhecida pelos Gregos, que vieram para esta região e transformaram a cidade num centro de comércio de bens entre os portos do Mar Negro, Crimeia, Arménia e Georgia a norte, Assíria, Chipre, e Líbano a sul, e Pérsia a este. Nesse período a cidade adoptou o nome de Ànkyra. Consta que parte da sua população veio de Gordium, depois de um terramoto que aconteceu na antiguidade. O poderio persa chegou ao fim quando se rendeu ao rei macedónio Alexandre, O Grande. Em 333 a.C., Alexandre veio de Gordium para Ancara e ficou na cidade durante algum tempo. Depois da sua morte na Babilónia em 323 a.C., e posterior divisão do seu império pelos seus generais, Ancara caiu nas mãos de Antigonus. Em 278 a.C., Ancara foi ocupada pelos Gauleses, os primeiros a tornar Ancara capital. Nessa altura era conhecida como Ancyra. A história organizada e escrita de Ancara começa com os Gauleses.
Posteriormente a cidade foi conquistada pelos Romanos, Bizantinos, Seljúcidas e Otomanos. Estes últimos só se renderam no final da Primeira Guerra Mundial.
O domínio do Império Romano começou em 189 a.C. e transformou Ancara na capital da província romana da Galácia. Sob o poder romano, Ancara passou a ser a porta de Roma para o leste, e como estava tão desenvolvida, adquiriu o estatuto de cidade-estado ou polis. A sua importância militar e logística continuou durante o longo reinado bizantino, mesmo depois da capital ter passado a ser Constantinopla.
Embora Ancara tenha caído nas mãos de vários exércitos árabes numerosas vezes depois do seculo VI, permaneceu uma cidade importante durante o Império Bizantino e até ao final do século XI. Em 1071, o sultão seljúcida Alp Arslan, abriu a porta da Anatólia para os Túrquicos com a sua vitória em Malazgirt, na Arménia, na Batalha de Manziquerta, onde derrotou Romano IV Diógenes e contribuiu grandemente para o enfraquecimento do Império Bizantino na Ásia Menor. Em 1073, anexou Ancara ao território seljúcida, que viria a ser mais tarde o Império Otomano. O imperador bizantino Aleixo I Comneno reconquistou a cidade aos Túrquicos durante a primeira cruzada. A cidade esteve na posse dos Bizantinos até ao final do século XII, altura em que abandonou o controlo bizantino para sempre. Orhan I, o segundo bey (chefe) do Império Otomano, conquistou a cidade em 1356. Tamerlão (Timur-i-Lenk) ou Timur, O Coxo, sitiou Ancara durante a sua campanha na Anatólia, mas em 1403 Ancara estava outra vez sob controlo otomano. Perto da Primeira Guerra Mundial, a Turquia era controlada pelo sultão otomano Mehmed V, e tendo perdido a guerra, era partilhada por Gregos, Franceses, Britânicos e Italianos.
O líder dos nacionalistas turcos, Kemal Atatürk, estabeleceu o centro de operações do seu movimento de resistência em Ancara em 1919. Depois da Guerra da Independência ter sido ganha e da dissolução do Império Otomano, a Turquia foi declarada república em 29 de Outubro de 1923. Ancara substituiu Istambul (antiga Constantinopla) como a capital da nova República da Turquia em 13 de Outubro de 1923. Depois de Ancara se ter tornado a capital da recém fundada República da Turquia, a cidade foi dividida em duas regiões: a região antiga denominada Ulus (nação) e uma nova região chamada Yenişehir (cidade nova). Os antigos edifícios reflectindo a história romana, bizantina e otomana e as ruas estreitas espiraladas marcam a região antiga. A nova região, agora centrada em torno de Kızılay, tem os traços de uma cidade mais moderna: ruas largas, hotéis, teatros, centros comerciais e prédios. Os edifícios governamentais e as embaixadas localizam-se nesta nova região.

22.10.06

Descoberto selo com 7000 anos em Harran


Foi descoberto um selo datado de 4000-5000 a.C., em Harran, na província de Şanlıurfa, durante escavações arqueológicas aí realizadas. As escavações decorrem desde 1983, e os trabalhos mais recentes na área concentraram-se no tumulus de Harran e em Ulu Cami, assim como no povoado neolítico de Tellidris.
"O nosso trabalho revelou que os primeiros habitantes de Harran viveram em Tellidris, cerca de 8000 a.C.. Nas últimas escavações, encontrámos alguns selos com diferentes formas e motivos, assim como uma figura de touro datados de 6000 a.C.. Os achados mostraram que as pessoas de Harran e Tellidris viveram juntas há cerca de 9000-10000 anos, e que as pessoas em Tellidris abandonaram o local, deslocando-se para a área do tumulus de Harran, anos mais tarde. As escavações de Tellidris levadas a cabo este ano, por outro lado, revelaram um selo de datação mais antiga, de cerca de 4000 ou 5000 a.C., e acreditamos que as escavações em Tellidris irão fornecer mais achados do Neolítico nos próximos anos", disse Nurettin Yardımcı, director das escavações arqueológicas.

2.10.06

Descobertas mós manuais com 4000 anos em Kültepe


As escavações deste ano em Kültepe, na província de Kayseri, que acontecem todos os anos desde os últimos 59 anos, forneceram, entre outros elementos, um conjunto de pequenas mós manuais com 4000 anos. Foram também descobertos alguns potes cerâmicos com tampa, para armazenagem.
O arqueólogo e director da escavação, Fikri Kulakoğlu, revelou que “Na escavação deste ano, descobrimos pela primeira vez várias mós totalmente intactas no interior de casas antigas. Encontramos um conjunto de duas mós dormentes pequenas e intactas e duas mós moventes, e dois recipientes cerâmicos para armazenagem datados de 2000 a.C. É realmente muito compensador termos encontrado estas mós in situ. As pessoas fizeram a sua própria farinha e pão em casa e com estes utensílios.” O arqueólogo disse ainda que os 219 artefactos descobertos foram colocados no museu arqueológico de Kayseri.

24.9.06

Villa romana descoberta na cidade antiga de Laodicéia

Segundo Cemal Şimşek, professor associado e director do Departamento de Arqueologia da Universidade de Pamukkale e responsável pelas escavações na cidade antiga de Laodicéia, a villa está situada junto a uma via férrea na parte sul de Laodicéia.
Escavações ilegais realizadas na região há algum tempo, puseram a descoberto alguns mosaicos e, por essa razão, foram realizadas escavações nessa área. A villa que foi descoberta é datada do período romano tardio e está localizada no vale do rio Lycus.

Sobre Laodicéia...

Villa romana descoberta na cidade antiga de Laodicea

A antiga cidade de Laodicea (Laodicéia) situava-se no longo esporão de uma colina, entre os vales estreitos dos pequenos rios Asopus e Caprus que desaguavam no rio Lycus. Estava localizada a sul do rio Lycus, perto da aldeia de Eskihişar, seis quilómetros a norte de Denizli, a cerca de dez quilómetros a sul de Hierapolis (Hierápolis) e 17 quilómetros a oeste de Colossae (Colossos). Foi originalmente chamada Diospolis ("a cidade de Zeus") e depois Rhoas (Plin. v. 29).
Antiochus II Theos (261-253 a.C.) reconstruiu-a durante o século III a.C. (261-253 a.C.), provavelmente no mesmo local da villa antiga e chamou-a assim em honra da sua esposa Laodice.
Na era do Novo Testamento foi uma cidade muito grande e importante, substituindo as cidades próximas de Hierápolis e Colossos como a mais importante dessa área.
Estava localizada junto de bons cursos de água, e um aqueduto fornecia-lhe água proveniente do sul. Situava-se também junto a um cruzamento de importantes vias. A maior vinha de leste (Síria, Mesopotâmia, Arábia, Índia, China) para Laodicéia e a partir daí prosseguia para oeste até à cidade portuária de Ephesus (Éfeso), para noroeste até Philadelphia (Alaşehir), onde seguia até Smyrna (Izmir) ou continuava no sentido noroeste até Pergamus (Pérgamo). A partir de Laodicéia também se podia viajar para sudeste até Attalia (Antália), um porto no Mar Mediterrâneo.
A igreja de Laodicéia foi estabelecida na cidade nos primórdios do cristianismo e é uma das sete igrejas referidas no Livro da Revelação (Rev. 3.14-21).
A comunidade cristã de Laodicéia parece ter estado conectada com a de Colossos, apenas distante 13 quilómetros.
Laodicéia é mencionada cinco vezes na Epístola de São Paulo aos Colossenses (Novo Testamento). Tanto Laodicéia como Colossos terão sido evangelizadas possivelmente pelo discípulo de Paulo, o Colossense Epafras, que terá sido o fundador da igreja de Laodicéia.
A carta Laodiceana que Paulo terá escrito à igreja de Laodicéia, mencionada na Epístola aos Colossenses (Col. 4.16), nunca foi encontrada. No entanto, muitos estudiosos especulam que a Epístola aos Efésios foi originalmente escrita para a igreja de Laodicéia, acreditando que a Epístola aos Efésios é a carta perdida.
O Concílio de Laodicéia realizou-se nesta cidade em 364 d.C.
Foram cunhadas moedas em Laodicéia durante o reinado de Caracala (séc. III d.C.). As duas nascentes presentes no território de Laodicéia denominadas Likos e Kapros aparecem personificadas nas moedas por um lobo e um javali.
Para além da igreja, muitos edifícios monumentais foram também construídos nesta cidade: dois teatros, um estádio, um ginásio, o monumental Nypheum, o edifício do Conselho e o templo de Zeus. A cidade foi completamente destruída por um terramoto no ano 60 d.C.

23.9.06

Descobertos mais de 70 povoados em Yozgat

Arqueólogos que trabalham no povoado de Tavium, localizado em Yozgat, uma província do centro da Turquia, descobriram mais de 70 novos povoados antigos. Esta área, mais conhecida pelas descobertas de vestígios do período Calcolítico, documentadas pelos tumulus de Alişar e por artefactos da civilização hitita em Kerkenes, parece albergar muito mais vestígios arqueológicos do que se pensava. O arqueólogo austríaco, Karl Strobel, que está actualmente a dirigir as investigações e as escavações arqueológicas na cidade antiga de Tavium, disse que ele e o seu assistente identificaram os povoados até então desconhecidos, numa área extensa de Yozgat. Strobel, que tem estado a investigar esta área desde 1997, disse que as novas descobertas pertencem a vários períodos da história, incluindo Romano, Idade do Bronze, Bizantino, Hitita, Bronze Inicial, Calcolítico, Calcolítico Inicial, 1.ª Idade do Ferro, Helenístico e Otomano. Strobel disse ainda que foi entregue um relatório às entidades oficiais e que aguardam o registo desses sítios como áreas a preservar.

22.9.06

Arqueólogos procuram pistas de sítio com 4000 anos em Tekirdağ

Arqueólogos procuram pistas de sítio com 4000 anos em Tekirdağ

Arqueólogos que investigam um sítio antigo da Trácia, em Tekirdağ, dizem ter descoberto parte de uma antiga cidade denominada Heraion Teichos, que será anterior ao ano 2000 a.C.
A equipa de investigação do departamento de arqueologia da universidade Mimar Sinan, tem estado a trabalhar desde os últimos seis anos, para desenterrar a cidade antiga localizada nas imediações da aldeia Karaevli. A direcção das escavações está a cargo da professora associada Neşe Atik, que disse que as informações relativas à civilização da Trácia são muito escassas. "Em resultado das escavações, verificamos que eram muito bem sucedidos na produção de acessórios de ouro e prata, cerâmica e textéis", referiu. "Considerando o facto de que numerosas peças de cerâmica importada dos séculos XV e XIII a.C foram descobertas durante as escavações, e que a cidade tinha uma grande fortaleza, podemos entender que Heraion Teichos foi uma próspera cidade portuária", acrescentou. Atik disse ainda que esperam obter mais informações sobre o modo de vida dos Trácios em próximas escavações, e que também esperam musealizar o sítio arqueológico.

21.9.06

Escavações em Çatalhöyük põem a descoberto o amanhecer de uma civilização

Escavações em Çatalhöyük põem a descoberto o amanhecer de uma civilização
Um total de 130 casas foram descobertas até agora durante as escavações de Çatalhöyük, disse o co-director dos trabalhos arqueológicos Shahina Farid.
Çatalhöyük é um sítio arqueológico com 9000 anos e localiza-se na cidade de Cónia, na Turquia. As primeiras escavações do sítio, considerado um dos mais antigos povoados da história da humanidade datado do período Neolítico, foram conduzidas pelo arqueólogo inglês James Mellart, que descobriu 80 casas durante as escavações realizadas entre 1961 e 1964.
Os trabalhos no sítio foram retomados em 1993 após uma longa paragem. "Cinquenta novas casas foram descobertas depois dessa data", disse Farid. "Estamos a tentar iluminar um período obscuro da humanidade com estas escavações. Os achados arqueológicos revelam que há 9000 anos existiu um rio e pequenos lagos nesta região. Também encontrámos edifícios sobrepostos. As casas mais antigas foram destruídas depois de um período de povoamento e novas estruturas foram construídas sobre as mesmas. Acreditamos que Çatalhöyük albergou cerca de 7000 a 10 000 habitantes num mesmo momento". Shahina Farid disse também que a comunidade construiu estas casas com carvalho e álamo e que colunas de madeira terão sido trazidas através do rio, ao longo de 40 quilómetros. Acrescentou ainda que essas colunas terão sido reutilizadas na construção de novas casas. "Também encontrámos mais de 60 esqueletos humanos em casas construídas com tijolos de barro dispostas umas ao lado das outras. Os habitantes desse período enterravam os mortos debaixo da casa, para estarem perto dos seus antepassados. Por outras palavras, os habitantes de Çatalhöyük nasceram, morreram e foram enterrados nestas casas. Também verificamos na nossa investigação, que esta comunidade cultivava, criava animais e caçava animais selvagens. Acreditamos que as vacas foram domesticadas durante esse período”. Disse igualmente que não identificaram tecidos nos esqueletos, acrescentando: "até agora, os pedaços de couro que encontramos perto dos esqueletos, sugerem que usaram peles de veado que caçavam. [...] A escavação deste ano tem neste momento uma equipa de 45 pessoas de diferentes países, chegará aos cerca de 100 elementos em Julho, e terminará no final de Setembro", acrescentou.