18.6.26

Mosaicos do Rabaçal e Conímbriga na Turquia

Participação portuguesa integra também o Movimento para a Promoção da Candidatura de Conímbriga a Património Mundial da UNESCO

Os mosaicos das Estações do Ano da Villa Romana do Rabaçal (Penela) e Conímbriga (Condeixa-a-Nova) vão ser apresentados no 3.º Encontro Internacional RoGeMoPorTur (Roman GeometricMosaics in Portugal and Türkiye), que decorre de amanhã a domingo, em Iznik, antiga Niceia, na Turquia. O encontro reúne especialistas de vários países para discutir o tema “Personificações e Alegorias nos Mosaicos Romanos”.

A edição deste ano conta com participantes de Portugal, Turquia, França, Itália e Espanha, reforçando o diálogo internacional sobre o estudo do mosaico romano.

A participação portuguesa integra também o Movimento para a Promoção da Candidatura de Conímbriga a Património Mundial da UNESCO, que pretende reforçar o reconhecimento internacional do sítio arqueológico.

O arqueólogo Miguel Pessoa explica que os dois conjuntos têm histórias diferentes. "O conjunto do Rabaçal foi identificado entre 1985 e 1987 e o de Conímbriga foi descoberto em 1939", refere.

Para o investigador, a presença portuguesa neste encontro é uma oportunidade importante. "Vamos ter a possibilidade de comparar com outros sítios do Império Romano e de divulgar nosso património", refere. Sobre o conjunto do Rabaçal destaca o seu valor artístico, tratando-se de "um raro exemplo de arte proto-bizantina em Portugal".

O encontro é organizado pela Universidade Uludağ de Bursa, em colaboração com a Universidade Nova de Lisboa, a AIEMA e a APECMA. As edições anteriores realizaram-se em Alter do Chão e em Lagos.

O arqueólogo adianta que há vontade de continuar com esta cooperação e o desejo é que o próximo encontro seja também em Portugal.

Fonte: Diário de Coimbra

2.11.25

Descoberto hipódromo romano em Kayseri

Descoberto hipódromo romano em Kayseri

Arqueólogos turcos descobriram vestígios de um hipódromo romano na cidade de Kayseri — a antiga Cesareia, capital da Capadócia e um importante centro comercial do Médio Oriente. O hipódromo foi fundado durante o reinado do imperador Tibério (14 d.C.–37 d.C.). Segundo as autoridades municipais, permaneceu escondido debaixo de um aterro sanitário até agora, dois mil anos depois da sua construção. 

Para chegar à descoberta, terão sido analisados mapas do século XIX e registos de viajantes e de historiadores, nomeadamente, Gregorios Bernardakis, Levides, Arshak Alboyaciyan, Vital Kunet e Friedrich Hild.

Num dos registos, foi encontrado um desenho de uma estrutura circular com a palavra "Circo" escrita por cima.  Comparando-o com imagens atuais, determinaram a sua possível localização.


Fotografias aéreas históricas da Direção-Geral de Cartografia indicam que, entre 1950 e 1980, este terreno foi utilizado como aterro sanitário municipal, tendo sido aí despejados milhares de quilos de entulho — aproximadamente 20 metros de aterro.


Trata-se de um hipódromo, um recinto em forma de U onde cavalos e bigas competiam perante grandes multidões. O circuito descoberto tem 450 metros de comprimento e é considerado uma das maiores estruturas da Capadócia desse período.

Durante o período helenístico, a cidade era designada por Mazaka. Por volta de meados do século III a.C., passou para o domínio da dinastia Ariarates e passou a chamar-se Eusébia do Reino da Capadócia. Mais tarde, os romanos incorporaram-na no seu controlo durante o período de expansão imperial. Tibério passou a designá-la de Cesareia, em homenagem a César, refletindo a sua posição privilegiada em comparação com outros centros urbanos.


Durante este período, tornou-se um local fundamental na província da Capadócia e em todo o mundo romano. Além disso, era considerado influente na cultura e na administração pública. O hipódromo era o local perfeito para a elite se reunir, não só para assistir às corridas de cavalos, mas também para testemunhar grandes eventos imperiais.

(Fonte: Globo)

8.10.23

Izmir: Descoberta de três estatuetas com 7.700 anos no Sítio Arqueológico de Ulucak

Izmir: Descoberta de três estatuetas com 7.700 anos no Sítio Arqueológico de Ulucak

Foram descobertas três estatuetas antropomórficas que datam de há 7.700 anos, durante escavações no Sítio Arqueológico de Ulucak, em Izmir, na Turquia. 

Estas estatuetas de cerâmica são distintas dos achados típicos do local, que geralmente apresentam figuras femininas com ancas largas. Acredita-se que duas das novas estatuetas representam um casal, usando trajes e chapéus semelhantes, enquanto a figura feminina segura um bebé, representação também encontrada mais tarde nos Balcãs. 

Escavações em Ulucak, Sítio pré-histórico descoberto pela primeira vez em 1960, revelaram também potes de cerâmica, ferramentas e outros artefactos.

(Fonte: Hürriyet Daily News)

6.10.23

Ordu: Descoberta de mosteiro bizantino

Foi descoberto um mosteiro bizantino, na província de Ordu, dedicado ao imperador romano Constantino e à sua mulher Helena, durante escavações numa área onde já tinham sido descobertas oito sepulturas com cerca de 2.000 anos, datando da época romana. Um dos sarcófagos continha restos humanos, moedas, pulseiras de vidro, um anel de ouro, fivelas de cinto, uma garrafa de vidro em forma de lágrima, um jarro de cerâmica e garrafas de vidro fragmentadas.

As escavações começaram em 2021, quando, durante a construção de uma estrada em Fatsa, um operador de uma escavadora notou uma camada incomum de material e informou as autoridades locais.

(Fonte: Hürriyet Daily News)

5.9.23

Reconstrução de rosto em crânio desenterrado na Necróple de Juliopólis


O rosto foi reconstituído com base num crânio com uma deformação misteriosa descoberto numa necrópole do século 3 d.C., no sítio arqueológico de Juliopolis, uma cidade antiga localizada na atual província de Ancara.

Trata-se do único crânio deformado datado do período romano descoberto na Anatólia. A sepultura continha restos mortais de um total de sete indivíduos, dos quais dois apresentavam estranhas marcas de deformação propositada nos crânios.

O local foi datado com base em moedas e brincos de bronze e as características morfológicas do crânio sugeriram o seu sexo e datação, com os graus de fechamento da sutura craniana indicando que terá morrido jovem, quando tinha entre 25 e 35 anos de idade.

A reconstituição foi conduzida pelo designer 3D brasileiro Cicero Moraes, em colaboração com os arqueólogos Evren Sertalp e Erge Butün, da Universidade de Hacettepe, em Ancara, na Turquia. Os resultados foram publicados num artigo no site Research Square, a 17 de agosto.

Deformação misteriosa


Os autores do estudo identificaram uma deformação no crânio da mulher de Juliópolis resultante da "aplicação de elementos mais flexíveis, como ligaduras, fitas ou tiras transversais". Essas amarras foram unidas a "outros materiais não plásticos" na parte de trás da cabeça, segundo descrevem no artigo.

Os pesquisadores apontam ainda que dois objetos duros de aproximadamente 5 cm de diâmetro foram utilizados logo acima da testa da mulher. Além disso, havia duas marcas de bandagens na sua caixa craniana.

Recriando o rosto de Juliópolis

Os autores do estudo criaram uma modelagem 3D do crânio por fotogrametria. Isto é, o fóssil foi colocado numa placa giratória e fotografado de diferentes ângulos. Um total de 113 fotografias foram tiradas, sendo que 95 foram utilizadas para o modelo.

No entanto, faltava no crânio a mandíbula e vários dentes superiores. Essas partes foram recriadas digitalmente com base numa biblioteca virtual de doadores que contém imagens de outros ossos.

Uma malha 3D de um doador virtual apropriado foi usada para substituir a mandíbula e os dentes perdidos da mulher turca. A equipa realizou a reconstrução facial utilizando o software Blender com o complemento OrtogOnBlender e o seu submódulo ForensicOnBlender.

“A projeção e a estrutura da face foram determinadas pelos dados adquiridos nas medidas do crânio”, descrevem os pesquisadores, que apresentaram os resultados em escala de cinza e em cores. “Por fim, foi criado o detalhe do rosto e do cabelo, e as imagens finais foram geradas”, acrescentam.

Com a aproximação facial do crânio, os autores pretendem aumentar ainda mais a visibilidade e o reconhecimento do fóssil. “A reconstrução facial deste crânio feminino deformado demonstrará como o povo de Juliópolis do passado pode ter sido”, afirma a equipa. “Além disso, [o estudo] mostra como completar as lacunas de uma amostra – como a mandíbula, neste caso – utilizando dados digitais apropriados, o que pode servir de exemplo para estudos futuros”, concluem.

(Fonte: Galileu)