21.2.07

Cemitério seljúcida de Ahlat nomeado para a Lista de Património Mundial da Unesco

Cemitério seljúcida de Ahlat nomeado para a Lista de Património Mundial da Unesco

A Turquia tem nove sítios históricos na Lista de Património Mundial da Unesco, que incluem a Capadócia, Hattusha e Pamukkale, cada um deles com notável valor histórico e patrimonial para a humanidade.
Actualmente tiveram início os trabalhos para a adição do cemitério seljúcida de Ahlat, localizado na província de Bitlis, na margem oeste do lago Van, no sudeste da Turquia.
O cemitério seljúcida possui 8000 sepulturas com oito metros de altura datadas dos séculos XII-XIII.
O presidente da câmara de Ahlat, Mevlüt Gülmez, disse que o ministério está a levar a cabo trabalhos na região para que o maior cemitério muçulmano do mundo, agora um museu a céu aberto, seja incluído na Lista de Património Mundial da Unesco. Ainda segundo Mevlüt Gülmez, um comité científico da UNESCO composto por dez pessoas veio ao local para completar a sua avaliação do sítio.

10.2.07

O Monte Nemrut e Comagena

O Monte Nemrut (Nemrut dağı), localizado na área Sudeste da península da Anatólia, a 100 quilómetros da cidade de Adiyaman, no Sudeste da Turquia, é o primeiro relevo a destacar-se no Norte da Mesopotâmia, e atinge uma altitude de 2150 metros acima do nível do mar.
No topo do Monte Nemrut encontram-se as fascinantes ruínas do túmulo e hierotheseion (palavra derivada do Grego e que se refere à area do enterramento sagrado de uma família real, e cuja utilização só é conhecida em Comagena) do rei Antíoco I, um dos reis do pequeno Estado Helenístico de Comagena, que governou de 69 a 36 a.C..

Numa inscrição de culto, o Rei Antíoco declara que construiu o monumento para os anos e gerações que se lhe seguissem "como uma dívida de agradecimento aos deuses e aos seus antepassados deificados pela sua manifesta assistência”.
Antíoco I de Comagena era filho de pai Persa e de mãe Selêucida-Macedónia. Reclamou descendência, através do seu pai Mitrídates, de Dario I (522-486 a.C.) e, através da sua mãe Laodice, de Alexandre, o Grande (356-323 a.C.).
Para a construção deste monumento funerário, construído com grandes lajes de pedra e de configuração piramidal, o cume original do monte Nemrut foi removido. As plataformas Este e Oeste do monte, que correspondem à base do túmulo, são templos a céu aberto com imensas estátuas de leões, águias e estátuas gigantescas de deuses e do rei Antíoco, a maior parte extraordinariamente bem preservadas. Estão dispostas da mesma forma em ambas as plataformas e correspondem às estátuas dos deuses Apolo, de Zeus, Hércules, da deusa Comagena da fertilidade Tyche e do rei Antíoco de Comagena.



Breve história da Dinastia de Comagena



Localizado perto da aldeia de Karadut na província de Adiyaman, o monte Nemrut fez outrora parte do império da Dinastia de Comagena (80 a.C. a 72 d.C.). A sua capital, Samosata, foi fundada por Samos, o rei de Comagena cerca de 150 a.C.. Esta região de agricultura fértil fez parte do império Assírio e depois do Império Persa. No período pós Alexandre, o Grande, assumiu gradualmente independência durante o governo dos reis selêucidas da Síria, declarando absoluta independência em 162 a.C.. Em 64 a.C., o rei Antíoco I, um aliado Romano, viu o seu território ser alargado pelo general Pompeio, mas foi deposto em 38 a.C. por Marco António. Comagena foi depois anexada por Tibério (17 d.C) mas um novo rei, Antíoco IV de Comagena, foi nomeado por Calígula (38 d.C), foi rapidamente deposto, e novamente reeleito (41 d.C.) por Cláudio. Finalmente Vespasiano anexou definitivamente Comagena (72 d.C) à província Romana da Síria. O território foi invadido por Khosrow I da Pérsia em 542, mas ele retirou no mesmo ano quando a sua campanha foi controlada por Belisário.

As Ruínas Monumentais de Nemrut

O túmulo no cume do Monte Nemrut mede 50 metros de altura e estende-se por uma área com 150 metros de diâmetro. É limitado a Este, Oeste e Norte por terraços escavados na rocha. O terraço Este constitui o centro do recinto sagrado e possui o mais importante grupo de trabalhos de escultura e arquitectura. É limitado a Oeste por estátuas colossais, a Este por um altar em forma de pirâmide com degraus, e a Norte e Sul por ortóstatos (lajes de pedra cravadas verticalmente) dispostos numa base estreita e comprida.

Os ortóstatos voltados para o terraço localizado a Norte, apresentam relevos que descrevem os antepassados Persas de Antíoco, enquanto que a Sul possuem relevos que representam os seus antepassados Macedónios. No topo da lista de antepassados deificados, figuram dois nomes eminentes: Dario I, o fundador da dinastia Aqueménida pelo lado do seu pai, e Alexandre, o Grande por parte da sua mãe. Em frente de cada relevo existiu um altar de sacrifícios. As estátuas gigantescas tão bem preservadas que estão voltadas para o terraço Este, foram construídas com blocos de calcário e medem 8 a 10 metros de altura. Inscrições identificam as estátuas (cujos nomes são fornecidos em Persa e Grego, tendo em conta a união sincrética das religiões Grega e Persa) no terraço Oeste, da esquerda para a direita na seguinte ordem: Antíoco, Zeus-Oromasdes (o deus Greco-Persa do Céu e supremo Deus, e também a estátua de tamanho maior), Apolo-Mitras, e Hércules-Artagnes. As expressões faciais destas estátuas são exemplos impressionantes do estilo Helenístico Tardio.

Os deuses estão representados com chapéus Persas e os pescoços de Antíoco e dos outros deuses estão protegidos por babados ao estilo Persa.

A cabeça da deusa Comagena da fertilidade está decorada com uma coroa de frutos. As partes dos pedestais que estão voltadas para o terraço e para o túmulo, apresentam inscrições das leis e preceitos do país assim como a data de nascimento do rei, e detalhes de procedimentos de culto, tudo escrito em Grego. As estátuas colossais do terraço Oeste estão dispostas da mesma maneira das estátuas localizadas no terraço Este. As cabeças também estão tombadas no chão mas estão melhor preservadas. As estátuas foram recolocadas nos seus locais originais no decurso dos trabalhos levados a cabo em 1985 sob a direcção de F. K. Dorner. As lajes com os relevos dos antepassados Persas do rei localizam-se no extremo Sul do terraço Oeste, enquanto que as lajes com os relevos relativos aos antepassados Macedónios estão em frente às estátuas monumentais.

No terraço Oeste, os relevos que representam Antíoco a apertar as mãos a diferentes divindades estão muito bem preservadas. Das lajes que descreviam as mesmas cenas no terraço Este, restam apenas escassos fragmentos. As cenas de aperto de mão que podem ser vistas no terraço Oeste representam Antíoco e a deusa Comagena, Antíoco e Apolo-Mitras, Antíoco e Zeus-Oromasdes, Antíoco e Hércules-Artagnes.

O relevo do leão no pátio Oeste é de particular interesse. A laje de pedra mede 1,75 metros de altura e tem 2,40 metros de comprimento e mostra um poderoso leão a caminhar para a direita.


O seu corpo está decorado com 19 estrelas e tem um crescente no peito. Das três estrelas maiores que estão representadas nas costas do leão emergem 16 raios, enquanto que as estrelas mais pequenas têm só oito raios cada uma. As três estrelas maiores estão identificadas como sendo Júpiter, Mercúrio e Marte. Trata-se da representação do mais antigo horóscopo do mundo. Inicialmente pensava-se que este horóscopo representaria a data de nascimento de Antíoco, mas o Professor Otto Neugebauer identifica a representação como sendo 7 de Julho do ano de 62 ou 61 a.C. Assim sendo, corresponderá à data em que Antíoco I foi colocado no trono pelo general Romano Pompeio. Por outro lado, de acordo com o professor Dorner, o evento representado corresponderá à data da construção deste monumento funerário no Monte Nemrut.
O terraço Norte tem a forma de um caminho processional que liga os terraços por Este e Oeste. As estátuas colossais de uma águia em ambos os lados guardam a entrada no centro exacto da parede que forma o terraço Norte.
De acordo com as inscrições na parte traseira dos tronos onde as divindades estão sentadas, o rei Antíoco I de Comagena ordenou ser enterrado no seu hierothseion.


As escavações que têm sido desenvolvidas no local, revelaram que o túmulo foi erguido no topo da colina rochosa. Assim sendo, os ossos ou cinzas do rei foram colocados numa câmara escavada na rocha, que terá sido depois coberta com o túmulo. Apesar dos trabalhos que têm vindo a ser desenvolvidos, ainda não foi descoberta a câmara de enterramento.


A Redescoberta do Monte Nemrut

Não existe qualquer referência ao Monte Nemrut em fontes antigas.
Karl Sester, um engenheiro de estradas Alemão, redescobriu o Monte Nemrut em 1881. Foi organizada uma expedição ao Monte Nemrut em 1882-83 por Karl Humann e Otto Puchstein. Osman Hamdi Bey e Osgan Effendi também investigaram o sítio em 1883. F. Karl Dorner e Rudolf Naumann organizaram uma expedição ao Monte Nemrut em 1938. Dorner regressou ao sítio depois de 1951 e começou a trabalhar com a investigadora Norte-Americana Teresa Goell. Em 1984, uma equipa Turca e Alemã liderada pelo professor Dorner levou a cabo trabalhos de restauro no local. Têm sido realizados trabalhos de escavação e de restauro desde 1989, sob a direcção de Sencer Sahin. Em 1989, o monte Nemrut e imediações foram declarados parque nacional. Desde 1987 faz parte do Património da Unesco.

18.1.07

Barragem com 3000 anos está de novo em funcionamento

Barragem com 3000 anos está de novo em funcionamento

Em Alacahöyük, uma aldeia turca com 2500 habitantes, camponeses e arqueólogos celebram uma conquista única: uma barragem com 3246 anos, que esteve enterrada na lama até 2002, está de novo em funcionamento para irrigar campos agrícolas.

Esta barragem é um legado dos Hititas, que governaram vastas áreas do Médio Oriente entre 2000 a.C. e 1000 a.C., lutaram contra o faraó style="text-align: left;">Ramsés II, entre outros, e construíram algumas das maiores cidades daquela época no coração da style="text-align: left;">Anatólia.

Desde o início do século XX que arqueólogos investigam os vestígios de uma cidade real na entrada de Alacahöyük, localizada a cerca de 160 quilómetros a Este de Ancara. A barragem, no entanto, só foi descoberta em 2002, quando uma equipa de arqueólogos da Universidade de Ancara iniciaram uma nova escavação em terrenos pantanosos, localizados a cerca de dois quilómetros da entrada da aldeia. Com o apoio do Governo e das autoridades locais, a equipa removeu 2,5 milhões de metros cúbicos de lama para recuperar a barragem, que, depois de alguns trabalhos de restauro, foi posta a funcionar.
A barragem foi construída numa colina estéril rodeada por álamos, e possui um reservatório com capacidade para 30 000 metros cúbicos de água proveniente de uma nascente subterrânea. Apresenta ainda uma piscina de purificação que torna a água potável, bem como canais de irrigação. "É a única barragem no mundo que foi restaurada e posta a funcionar de acordo com o seu objectivo original, 3240 anos após a sua construção [...]. Isto é verdadeiramente único", disse o arqueólogo Aykut Çinaroğlu, director das escavações. Explicou ainda que esta barragem foi a única que sobreviveu de entre dez outras barragens construídas pelo rei hitita Tudhaliyas IV, em 1240 a. C.. O rei ordenou a construção das barragens, depois de ter sido forçado a importar trigo do Egipto para salvar o seu povo da fome, depois da seca ter atingido as culturas da Anatólia.
A parede da barragem, de pedra e de barro natural, foi construída de forma tão perfeita que os peritos dizem fazer lembrar as técnicas actuais de construção. "A única diferença é que hoje utilizamos cimento em vez de barro, embora o barro ainda seja utilizado na construção de algumas barragens", disse a arqueóloga Duygu Çelik.

15.1.07

Descoberta de 120 Povoados no Sudeste da Anatólia

Investigadores do projecto TAY (Povoados Arqueológicos da Turquia), descobriram 120 povoados antigos em vários locais do Sudeste da Anatólia.

Alparslan Ceylan, o director do projecto, pensa que as 120 áreas de povoamento, que incluem um templo e várias fortalezas, deverão corresponder à Idade do Ferro. A inventariação de um total de 480 povoados antigos nessa região, incluindo os sítios recém descobertos, também fez parte do projecto, que está a decorrer desde o último ano e meio. Alparslan Ceylan e a sua equipa fizeram 7500 quilómetros no âmbito deste projecto, que mais uma vez provou a abundância de vestígios arqueológicos na Anatólia. "Só o facto da existência de 480 áreas de povoamento no Sudeste da Anatólia, constitui a prova maior da riqueza histórica da Anatólia", disse Alparslan Ceylan. Entre os sítios mais importantes descobertos pelo projecto TAY, está uma fortaleza da Idade do Ferro, localizada no sítio denominado Ağababa, em Tercan, na província de Erzincan, e uma fortaleza e um templo com os altares intactos, ambos localizados em Erzincan.

5.1.07

Foram Descobertas Gravuras em Göbeklitepe


Uma equipa de arqueólogos que desenvolve trabalhos de investigação no complexo funerário de Göbeklitepe, localizado na cidade de Şanlıurfa, no Sudeste da Turquia, descobriu relevos de figuras humanas, escorpiões, cobras e pássaros selvagens em monólitos do período Neolítico. O director das escavações, Klaus Schmidt, do Instituto Alemão de Arqueologia de Berlim, disse que o monumento de Göbeklitepe, com 11 000 anos, foi edificado por caçadores-recolectores. "Durante as escavações deste ano, descobrimos figuras humanas sem cabeça, o que corresponde à primeira descoberta de figuras humanas desde que os trabalhos foram iniciados há 12 anos. Estas descobertas dão-nos pistas importantes sobre o futuro das escavações". Disse também que as escavações em Göbeklitepe, revelaram uma arquitectura monumental e um avançado mundo simbólico dos grupos de caçadores que existiam antes do período de "transição para a produção". Revelou igualmente que descobriram os restos de cerca de 20 estruturas redondas ou elípticas com 30 metros de diâmetro. De acordo com Schmidt, as figuras de animais nos monólitos desenterrados este ano em Göbeklitepe, têm características diferentes. Também já tinham sido registadas anteriormente figuras similares em Çatalhöyük, mas com uma datação 2 000 anos mais recente.